
Se alguns estão satisfeitos com a atuação da imprensa em relação as ações realizadas pela Polícia Federal, outros não estão tanto assim. Muitos afirmam que são omitidos os principais fatos, tornando assim as notícias um tanto “distorcidas” e sem informar à população o real conteúdo.
Este assunto é freqüentemente debatido por estudiosos de comunicação, estudantes e pesquisadores. A atuação da imprensa já foi avaliada inúmeras vezes na mídia, como há cerca de dois anos, na TVE, quando a CPI dos Correios e do mensalão ocupavam as primeiras páginas de todos os jornais do país. O Observatório da Imprensa discutiu o papel da imprensa nas CPIs. Como tem sido a atuação dos meios de comunicação nessas situações? Qual deve ser o posicionamento da mídia? A imprensa pode ajudar com investigações próprias? A partir desses questionamentos, como podemos avaliar a atuação da imprensa em questões voltadas a Polícia Federal?
Veja na foto abaixo um estudante de Jornalismo analisando o site da Polícia Federal e a maneira que é divulgado seu conteúdo.

O professor de Redação do curso de Jornalismo, da Unisinos, Pedro Osório, afirma que a corporação está agindo da maneira que sempre foi desejado pela população. “Esse tipo de ação, em qualquer parte do mundo, é sempre mediada por interesses corporativos ou mesmo estranhos à corporação policial, mas assumidos por alguns dos seus agentes. Daí os vazamentos, algumas tentativas de autopromoção e atitudes desse tipo. A imprensa, de modo geral, tem cumprido o seu papel. Mas, me parece, tende a valorizar mais o detalhe do que o contexto. Assim, muitas vezes agenda mais a idéia ‘vejam como somos corruptos’ do que ‘vejam como estamos combatendo a corrupção’. A nação move-se para corrigir e ajustar seus mecanismos de controle e repressão à corrupção – única forma de reduzí-la -, mas a imprensa parece não perceber isso e insiste em dizer, esse país não tem jeito, vejam só quanto corruptos”, relata.
Patrícia Araújo, editora do Jornal SerraNossa, de Bento Gonçalves, avalia que, de modo geral, a imprensa busca cumprir com seu papel, que é o de informar a população sobre os fatos que estão ocorrendo, de forma idônea. “No entanto, em coberturas de fatos, sempre há diversas influências que acabam, muitas vezes, ‘prejudicando’ o trabalho da mesma. Um exemplo desse panorama é o jogo de interesses e a manipulação que permeiam as ocorrências policiais e que acabam, muitas vezes, prejudicando o trabalho dos jornalistas, visto que encobrem fatos e evidências. Claramente, percebe-se que, na maioria dos casos, o empenho dos profissionais da área jornalística para desvendar os fatos e levar a apuração dos mesmos ao público em geral’, observa.
A estudante do 6º semestre da faculdade de História, da Universidade de Caxias do Sul, Ligiane Müller Arnorte diz que é contra a atuação da imprensa em relação às reportagens referentes a Polícia Federal, pois a mesma transforma as matérias em sensacionalismo. “A mídia costuma mascarar os detalhes mais escusos. É claro que isso não se aplica a todos os meios, porque existem aqueles que não se vendem ao capitalismo selvagem e a elite burguesa. Da mesma forma que existem os profissionais que não se utilizam de ética, há aqueles que fazem um jornalismo sério e coerente, de acordo com a sua formação profissional. Cabe ao telespectador saber filtrar o bom da mídia”, afirma.